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Hoje é o Dia Internacional da Mulher, comemorado em homenagem a cerca de 130 mulheres que morreram criminosamente queimadas, trancafiadas numa fábrica aonde trabalhavam, durante reunião para reivindicação de redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia, trabalho pelo qual recebiam cerca de 1/3 do salário que os homens, para as mesmas funções. Então, mais do que a gracinha do dia, é importante lembrar que se hoje estamos aqui, ainda com muito chão por percorrer, que nunca esqueçamos daquelas mulheres, assim como das nossas brasileiras tão sacrificadas na roça, na colheita, no interior, aquelas que andam quilômetros a fio, para lecionar no norte/nordeste, com remuneração indigna, mas com o orgulho de repassar conhecimento. Daquelas que são mãe e pai de seus filhos e, mesmo cansada da lida, ainda encontra jeito de os orientar, cuidar, amparar. Daquelas que não podem criar seus filhos, por circunstâncias várias. Daquelas que criam os filhos de outras, com o mesmo amor e dedicação. Daquelas que não puderam gerar, mas que possuem "filhos" espalhados pela vida, por onde passam. Meus parabéns a vcs, e aos homens que as valorizam como iguais. Minha homenagem:
SER MULHER
Nasci mulher, é fato Gameta indiscutível, Cometa irremediável, Soneto jamais escrito.
Cresci menina, concordo, De pernas cruzadas, Cabelos alinhados, Pelos depilados.
Vivi madura, é certo. Aprendi a traçar os olhos, A disfarçar as lágrimas, A não borrar a maquiagem.
Sonhei criança, feliz. Escrevi meus passos, Acreditei nos planos, Colhi meus frutos.
Provoquei emoções, faz parte. Ensinei meus truques, Repiquei batuques, Batalhei com arte.
Briguei na vida, gritei. Enfoquei os problemas, Resolvi os teoremas, Me entreguei a poemas.
Quebrei espelhos, de raiva. Escondi a dor, Distribuí amor, Superei o tempo.
Amei demais, está em mim. Mulher sem amor não existe. Atraí desejos, por capricho, Ou não, por pura paixão.
Caminhei e caí, me ergui. E não pretendo mudar. Arregacei as mangas tantas vezes, Que já nem sei desenrolar.
Mas...quer saber? É uma delícia ser mulher! Não troco por nada, por ninguém. Volto assim mil vezes, se puder.
E quando o véu da noite, De inveja e despeito me levar, Que o amor que distribuí, Os frutos que plantei, venham, enfim, me regar.
Lílian Maial - 08/03/00
Escrito por Lílian Maial às 16h36
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